"Ó vizinho, ora bom dia!
como vai a saudinha?
(Eu não sei falar de amor...)
Ó vizinho e este tempo?
a chuva dá pouco alento...
(e eu não sei falar de amor...)
Ó vizinho e o carteiro?
que se engana no correio...
(e eu não sei falar de amor...)
E soubesse eu artifícios
de falar sem o dizer,
não ia ser tão difícil
revelar-te o meu querer.
A timidez ata-me a pedras
e afunda-me no rio...
Quanto mais o amor medra
mais se afoga o desvario.
E retrai-se o atrevimento
a pequenas bolhas de ar...
E o querer deste meu corpo
vai sempre parar ao mar...
Ó vizinho e a novela?
será que ele ficou com ela?
(e eu não sei falar de amor...)
Ó vizinho e o respeito?
não se leva nada a peito...
(e eu não sei falar de amor...)
E soubesse eu artifícios
de falar sem o dizer,
não ia ser tão difícil
revelar-te o meu querer.
A timidez ata-me a pedras
e afunda-me no rio...
Quanto mais o amor medra
mais se afoga o desvario.
E retrai-se o atrevimento
a pequenas bolhas de ar...
E o querer deste meu corpo
vai sempre parar ao mar...
Ó vizinho então Adeus
vou cuidar de sonhos meus
(que eu não sei falar de amor...)"
Deolinda

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